Nas últimas semanas, aumentaram as discussões calorosas e bastante burras sobre a excelente iniciativa do Ministério da Educação quanto ao seu kit anti-homofobia. Quando finalmente comemoro um avanço positivo na nossa nação de intelectualóides, sou deparada com uma série de textos pejorativos na internet, que falam da homossexualidade como se isso fosse alguma anormalia, doença ou praga que ameaça a vida dos brasileiros.
Com relação a outros países latinoamericanos (estabelecendo um parâmetro até justo, onde o machismo, catolicismo e os índices de educação ainda são vergonhosos, o que é preponderante para uma sociedade subdesenvolvida e ignorante), o Brasil é bastante atrasado e isso confirma os textos que estive lendo durante os últimos dias. Acho que passou da hora de levarmos a sério temas que fazem parte das nossas vidas. Seja do gosto do povo ou não.
O discurso covarde da presidente Dilma me envergonha, porque nos marca a fogo essa mentalidade medíocre que ostentamos e pior, temos até certo orgulho disso: da tradição, dos bons costumes, que para mim, não passa de pura hipocrisia.
A nossa Educação é um desastre, que forma e formata cidadãos aptos a julgar e não a pensar, discutir e solucionar os problemas da nossa sociedade. Então, ficamos à mercê do nosso grande professor, a televisão, que propaga e mantém a verdadeira identidade do brasileiro: bobo, preconceituoso e manipulável.
Não sou homossexual, mas apoio completamente a liberdade do indivíduo. Seja para decidir com quem dorme, a quem ama, para quem reza ou como se veste. É com base a este idealismo, que nos tornamos um país abolicionista, que pertence a um mundo que recrimina Hitler e a todos os tiranos preconceituosos que habitaram este planeta.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Bin Laden não morreu!
O fato dos Estados Unidos não querer divulgar as fotos do defunto Laden para não despertar a ira dos terroristas, incluindo mulçumanos vulneráveis à propaganda fundamentalista, tem lógica sim senhor. Mas isso não quer dizer que surtirá o efeito desejado pelos governantes que almejam a paz. Digo isso, porque as ações do Al Qaeda nos países árabes pobres foram suficientemente profundas para conseguir seguidores e simpatizantes dispostos a cometer qualquer tipo de insanidade para vingar o covarde assassinato de Osama.
Achei covarde, porque ele não estava armado e estava com a sua família. E sempre esperei que ele fosse levado ao tribunal, como fizeram com Sadam Hussein, para ser julgado pelo governo afegão. Ou por quem fosse. Mas que fosse julgado e não assassinado por soldados americanos.
Por incrível que pareça, por mais desgraçado que tivesse sido em vida, Bin Laden conseguiu morrer como heroi!!! Insinuação um tanto perigosa, fácil de se converter em ícone de uma nova luta sangrenta que termina por castigar gente inocente.
Matar o Bin Laden não foi a solução, mas sim o encontro de um novo problema. Pois perpetuou aquele, que conseguiu estremecer o orgulho americano.
Por agora, só nos resta pedir a Allah que nos proteja. Amém!
Achei covarde, porque ele não estava armado e estava com a sua família. E sempre esperei que ele fosse levado ao tribunal, como fizeram com Sadam Hussein, para ser julgado pelo governo afegão. Ou por quem fosse. Mas que fosse julgado e não assassinado por soldados americanos.
Por incrível que pareça, por mais desgraçado que tivesse sido em vida, Bin Laden conseguiu morrer como heroi!!! Insinuação um tanto perigosa, fácil de se converter em ícone de uma nova luta sangrenta que termina por castigar gente inocente.
Matar o Bin Laden não foi a solução, mas sim o encontro de um novo problema. Pois perpetuou aquele, que conseguiu estremecer o orgulho americano.
Por agora, só nos resta pedir a Allah que nos proteja. Amém!
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Tsunami nas relações internacionais dos Estados Unidos
Apesar de lamentável, estou adorando ver os Estados Unidos rebolar as cadeiras para salvar sua relação política internacional com o resto do mundo. Como um bom imperador mimado, fez o que bem quis com a corte internacional, promovendo um clientelismo nojento que fomentou durante vários anos, principalmente, a desigualmente entre os hemisférios e dentro de inúmeros países em desenvolvimento. Hoje, graças ao Wikileaks não só os americanos estão numa verdadeira saia justa. Juntos, no mesmo saco estão inúmeros amiguinhos lambe-botas, expostos como o Tio Sam, por atitudes algumas óbvias, porém, com a dor de quem recebeu um baita de um chifre. É minha gente, o mundo dá voltas e as mensagens na internet também!
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Vítimas da sociedade de conceitos arcaicos
Foi uma nota pequena. Dessas que não aparecem destacadas. Estava lá, num link pequenininho, em um site de notícias do interior de São Paulo. Uma menina de dois anos violentada pelo "tio", que disse que a levaria ao parquinho, enquanto a mãe - viciada em cocaína, saíra em busca de mais drogas.
Claro que quando se trata da pobreza e suas vítimas, o assunto não dá ibope, já que essas mesmas vítimas consumem muito pouco. E para que colocar nas páginas dos jornais notas cheias de pobres e seus problemas?
Não é novidade o descaso e a cegueira ante os problemas sociais que maltratam o Brasil dos pobres. Não é novidade que o país está formado por uma sociedade hipócrita e burra, assim como já é de conhecimento de todos que somos uma das nações mais religiosos do mundo - pelo número de cristãos, que nega o aborto por uma religiosidade incoerente às mazelas sociais em que nos encontramos.
Se você acha que é pecado matar um feto por ser "um anjo indefeso que não optou por nascer", eu acho que é pecado permitir que uma criança de dois anos tenha seus órgãos sexuais e internos destruídos, porque tem uma mãe incapaz de zelar por sua segurança e que tamanha desgraça seja mantida por conceitos de uma sociedade arcaica que, indiretamente, fomenta coisas horríveis como essa todos os dias. Então, se defender o aborto é pecado, que eu vá para o inferno.
Claro que quando se trata da pobreza e suas vítimas, o assunto não dá ibope, já que essas mesmas vítimas consumem muito pouco. E para que colocar nas páginas dos jornais notas cheias de pobres e seus problemas?
Não é novidade o descaso e a cegueira ante os problemas sociais que maltratam o Brasil dos pobres. Não é novidade que o país está formado por uma sociedade hipócrita e burra, assim como já é de conhecimento de todos que somos uma das nações mais religiosos do mundo - pelo número de cristãos, que nega o aborto por uma religiosidade incoerente às mazelas sociais em que nos encontramos.
Se você acha que é pecado matar um feto por ser "um anjo indefeso que não optou por nascer", eu acho que é pecado permitir que uma criança de dois anos tenha seus órgãos sexuais e internos destruídos, porque tem uma mãe incapaz de zelar por sua segurança e que tamanha desgraça seja mantida por conceitos de uma sociedade arcaica que, indiretamente, fomenta coisas horríveis como essa todos os dias. Então, se defender o aborto é pecado, que eu vá para o inferno.
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Assunto velho, mas não irrelevante
Outro dia, buscando saber mais sobre as personalidades brasileiras que marcaram as décadas de 60 e 70, sem querer, topei com a Leila Lopes. Na verdade, coitada, buscava sobre a Leila Diniz. O curioso, foi que a Leila que não buscava me levou a um texto - cuja manchete desatualizada para este post, era bastante coerente com fatos que muitas vezes escapam da ótima de análise da impresa - porque não lhe interessa, óbvio.
Sem mais meandros, posto na íntegra o texto do blog Ad Pereira, cujo autor é o mesmo do título do veículo.
Essa semana fomos surpreendidos pela morte de Leila Lopes, com fortes indícios de que a causa tenha sido suicídio. O fato em si já é triste o suficiente, mas não paramos por aí.
Sem mais meandros, posto na íntegra o texto do blog Ad Pereira, cujo autor é o mesmo do título do veículo.
Fonte: http://adpereira.wordpress.com/2009/12/04/a-morte-de-leila-lopes-e-a-vida-de-leila-diniz-um-desabafo/
Essa semana fomos surpreendidos pela morte de Leila Lopes, com fortes indícios de que a causa tenha sido suicídio. O fato em si já é triste o suficiente, mas não paramos por aí.
A morte de Leila Lopes, cuja carreira transitou da Rede Globo para os corredores obscuros da indústria pornô, não deixa de trazer consigo um certo simbolismo dos tempos em que vivemos.
A Sociedade só pode estar com febre alta. As mulheres lutaram pelos seus direitos, queimaram sutiãs,foram às ruas.
Parece que o esforço não serviu prá nada, primeiro inventamos a mulher objeto, depois, a mulher produto. Disponível nas bancas de revistas, nos sites, nas modalidades frutíferas mais incríveis para o delírio e gozo de uma legião de onanistas insaciáveis. E se por um lado existe a venda, do outro existe o comprador formando um círculo vicioso.
São três os deuses dessa sociedade hipócrita, o pênis, a vagina e a fama. Três entidades que se combinam alucinadamente nas mentes pervertidas do sistema. Na busca desenfreada pela fama e o glamour e o poder que ela traz, os outros dois deuses, pênis e vagina aliam-se em metamorfoses ad nausea. Uma moça feia e pobre se torna celebridade instantânea por ter sido barrada na porta de uma faculdade e ganha os sedutores espaços da mídia, noutro instante prevê-se que ela seja abandonada e menosprezada pelo próprio monstro que a criou não sem antes ter faturado um punhado de dólares com a exibição do corpo. Um programa de televisão se passa no meio do mato e sobrevive da exibição de peitorais, bundas e peitos numa hemorragia de formas sem nenhum conteúdo.
Por isso e muito mais, não há graça alguma nessa morte e a manifestação de alguns integrantes do grupo CQC pelo twitter afora são apenas sinais do que a deusa fama pode causar nas mentes dos incautos. Os garotos do programa, enebriados pelos delírios de poder que uma audiência elevada produz, andam por aí no mundo digital e real lançando “posts” sobre a morte da atriz, sem o mínimo respeito pela própria ou pelos parentes dela.Onde anda você Marcelo Tas, um jornalista sério e com uma carreira sólida? Aguardamos a manifestação de seu bom senso com a rapaziada do programa que você lidera.
Salve Cláudia Raia, com seus 1,10m de pernas e kilômetros de inteligência. Salve Malu Mader, Marisa Monte, Ligia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Fernanda Montenegro, e finalmente Salve Leila Diniz, cuja coincidência de ter o mesmo nome da atriz Leila Lopes nos convida a refletir. São duas Leilas, dois destinos e um hiato gigante entre a ousadia e libertação proposta no passado por uma e a tristeza de assistir a morte da outra triturada pela canalhice sexual imposta pelos adoradores dos deuses vagina, pênis e fama.
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terça-feira, 16 de março de 2010
Bate papo político através de blogs
Galera, o blog Casa 101 está promovendo em dois de seus posts, "Assunto de Todos 1 e 2", uma conversa bastante interessante sobre a honestidade (ou a falta dela) entre os políticos brasileiros.
Na minha opinião, vale a pena dar uma espiadinha no blog da Kath, que sempre traz um tema interessante para refletir:
http://casa101.blogspot.com/
Na minha opinião, vale a pena dar uma espiadinha no blog da Kath, que sempre traz um tema interessante para refletir:
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segunda-feira, 15 de março de 2010
Caetano, você é um chato!
Sábado teve show do Caetano aqui em Baires. Eu fui - não porque o adoro, como adoro o Chico, o Gil. Apenas porque é um dos ícones brasileiros, do tropicalismo e todo esse blábláblá, e senti que era um dever ético e cívido prestigiá-lo.
Enquanto ele cantava temas que eu desconhecia e era aclamado pelos argentinos (embora, muitos tenham deixado o palco antes dos primeiros 60 minutos), reconheci que ele tem seus méritos para ser considerado um grande cantor: o cara é inovador, sem dúvida, tem algumas músicas belíssimas... e.... só. Se não fosse pelo embalo da emoção de estar perto do Caetano Veloso e se fosse um José da Silva qualquer que estivesse se apresentando, eu não teria gostado do show. Na verdade, eu não gostei do show. A Banda C, na minha opinião, pode ser comparada com outras bandas que escutei por aqui. Não tinha nada de óoooh. As letras das músicas apresentadas, na sua maioria, mais pareciam uma compilação de diálogos retirados do twitter (opinião é opinião).
É verdade que posso ser uma ignorante e não entender de absolutamente nada de música. E não entendo mesmo. Pode ser que eu tenha sido afetada pela arrogância já conhecida do Cantor, que sequer disse "buenas noches ou adiós", pode ser. Como pode ser também que o grande ícone permanece no trono pelo o que já foi e não pelo o que é. E como foi imensamente grande no passado, hoje não nos atrevemos a tomar o seu cetro. Foi aplaudido calorosamente, ovacionado por quase todos. Sendo assim, me resigno e desejo vida longa ao Caetano!
segunda-feira, 1 de março de 2010
Babei aos ingleses do Coldplay
Começou às 21:15, ao som de Life In Technicolor. Com uma chuva fina e um público apático, pensei que aquilo não seria bom, até Chris Martin entoar Yellow. Estávamos em uma espécie de transe, talvez porque ainda estávamos sob a influência da música e estilo de Bat for Lashes, grupo que abriu o show. As bolas amarelas e as cores que emanavam do palco com papéis picados e fogos de artifício representaram bem o sentimento de cada um ali no estádio do River. Estávamos histéricos, como borboletas noturnas hipnotizadas. Com um espanhol surpreendente, o vocalista pedia e nós fazíamos; poderíamos ter feito muito mais se Martin desejasse, sem importar que a banda era inglesa (da pátria que quer explorar indevidamente o petróleo das Malvinas) ou que a chuva engrossava. Quem não gostava de Coldplay e foi vê-los apenas para acompanhar a namorada romântica, duvido que depois de sexta-feira não tenham mudado de ideia e que não saiu do show arriscando um Come up to meet you, tell you I'm sorry, You don't know how lovely you are..
outra página com infos: http://www.urgente24.com/index.php?id=ver&tx_ttnews[tt_news]=137567&cHash=588fc3d2f2
outra página com infos: http://www.urgente24.com/index.php?id=ver&tx_ttnews[tt_news]=137567&cHash=588fc3d2f2
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Tarde com o fotógrafo da foto da menina afegana de olhos verdes
Foi ontem, no Centro Cultural Borges. Enquanto o sol se punha na agradável tarde portenha, a multidão de gente bem vestida e cult competia um espacinho para conseguir um autógrafo, uma foto ou um segundo que fosse ao lado do renomado fotógrado da Agência Magnum, o senhor Steven McCurry. Com o inglês que tenho, logicamente não arrisquei mais que um thank you quando recebi de suas mãos a foto da menina afegã autografada. Simpático e prestativo, trocou algumas frases com o meu namorado, que sentia por ele o excesso de tietagem.
Especializado em Oriente Médio, McCurry ficou conhecido por seus trabalhos publicados na revista Nacional Geografic. E não é só o mérito de captar boas imagens que renderam ao fotógrafo inúmeros fãs ao redor do mundo. Para registrar o conflito no Afeganistão com a Rússia, ele se fez passar por um cidadão local. Para sair do país com as imagens que delataria pela primeira vez a cruel realidade afegã, costurou os rolos de filme em sua vestimenta.
Reconheço que não é o único profissional que arriscou sua vida por uma boa fotografia. Mas o que o caracteriza como um grande fotógrafo é o fato de conseguir transmitir a beleza humana em vértices ainda incompreensíveis a muitos ocidentais.
Não sei se o evento vai para o Brasil. Se for pessoal, não perca a oportunidade de prestigiá-la.
Especializado em Oriente Médio, McCurry ficou conhecido por seus trabalhos publicados na revista Nacional Geografic. E não é só o mérito de captar boas imagens que renderam ao fotógrafo inúmeros fãs ao redor do mundo. Para registrar o conflito no Afeganistão com a Rússia, ele se fez passar por um cidadão local. Para sair do país com as imagens que delataria pela primeira vez a cruel realidade afegã, costurou os rolos de filme em sua vestimenta.
Reconheço que não é o único profissional que arriscou sua vida por uma boa fotografia. Mas o que o caracteriza como um grande fotógrafo é o fato de conseguir transmitir a beleza humana em vértices ainda incompreensíveis a muitos ocidentais.
Não sei se o evento vai para o Brasil. Se for pessoal, não perca a oportunidade de prestigiá-la.
Lindas, não?
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Andy Warhol, você não era grande coisa assim
Depois de várias tentativas, finalmente consegui dar uma escapadinha até o Malba e dar uma espiada nos quadros do moço das Sopas Campbells. As obras não me impressionaram e eu não esperava o contrário. E o que mais me chama a atenção nesse cara, é que ele fez algo completamente simples (que eu, você ou qualquer outro bobinho inspirado poderíamos ter feito). E se tivéssimos tido essa ideia, eu, você e o outro bobinho inspirado teríamos ganho milhões de dólares e neste exato instante não estaria aqui com dor de cotovelo, mas sim, numa ilha do pacífico comendo caviar. Mas o destino artístico não assim. Foi um noia norteamericano que teve a"grande ideia", que ficou rico e que me fez gastar 5 dólares para ver suas... serigrafias! Está bem né, tudo em nome da arte.
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Andy Warhol você não era grande coisa assim
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Sem notícias
Hoje decidi não ter notícias do mundo. Não quero saber sobre os sobreviventes do Haiti, a economia da China ou os conflitos no Afeganistão. Quero me dar o gosto de ficar completamente desinformada. Não me importa saber sobre a morte do Tomáz Eloy Martínez, da mulher bomba que matou mais de 40 em Bagdá e dos brasileiros que dormiram no chão de Cuzco. Definitivamente hoje não sou jornalista, não sou cidadã deste mundo caótico; apenas sou um conjunto de moléculas entre tantas outras, disperso por aí.
Quero respirar profundamente, aos poucos. Sentir o sol penetrar no meu corpo e queimá-lo sem ter que pensar se estou com protetor ou se o fator é o ideal para o meu tipo de pele. Que os sons da natureza se façam mais fortes que os ruídos humanos. Hoje sou uma borboleta, objeto qualquer que voa com o vento, despreocupado. Hoje não quero ter a necessidade da fé de que o amanhã será um dia melhor.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Mais uma janela que se abre para o Nordeste
Enquanto uns acreditam que falar (ou escrever) sobre o Nordeste e seus problemas é tema batido, lendo o blog "Novo em Folha", da jornalista Ana Estela de Souza Pinto, constatei que isso não é verdade. Através do veículo, cheguei aos vencedores do Prêmio Esso 2009 e à matéria "Os Sertões" realizada pelo Jornal do Commercio de Recife.
O trabalho é fantástico, de uma sensibilidade que não cai no ordinário.
Parabéns ao Jornal do Commercio pelo trabalho, e à Folha, pela divulgação e pelo conteúdo multimídia disponibilizado no blog da Ana Estela.
Link: http://www2.uol.com.br/JC/sites/sertoes/
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Mais uma janela que se abre para o Nordeste
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
O Big Bosta Brasil vem aí
Como se não bastasse a parafernália alienante típica de dezembro: mamães noéis mostrando suas bundas rebolantes e peitos siliconados, as boas ações natalinas que são meras obrigações cidadãs e as publicidades carnavalescas (arght!), fim de ano também significa ter que aguentar as chamadas ao Big Brother Brasil ( e todo o burburinho que gera em torno desse programa).
Há 10 anos somos obrigados a engolir o olho maldito, e vê-lo invadir as programações televisivas (que já não são bons) para promover esse programinha de merda, (qualifico de igual forma qualquer outro programa do Boninho...)
É justamente nessa época do ano que perco a minha fé nos brasileiros, no nosso senso crítico, na possibilidade de um dia sermos uma população mais inteligente! O BBB somatiza todas as minhas frustrações quanto à televisão brasileira e a esperança de nos emanciparmos dela torna-se um sonho cada vez mais distante, principalmente quando tento puxar um papo culto com os meus amigos e, quase que por escárnio à minha tentativa, me perguntam se eu vi a pendenda dos participantes ou o que eu faria com 1 milhão.
Isso, irremediavelmente reflete o que somos: meros fofoqueiros, incapazes de cuspir esse lixo que engolimos há 10 anos!
Há 10 anos somos obrigados a engolir o olho maldito, e vê-lo invadir as programações televisivas (que já não são bons) para promover esse programinha de merda, (qualifico de igual forma qualquer outro programa do Boninho...)
É justamente nessa época do ano que perco a minha fé nos brasileiros, no nosso senso crítico, na possibilidade de um dia sermos uma população mais inteligente! O BBB somatiza todas as minhas frustrações quanto à televisão brasileira e a esperança de nos emanciparmos dela torna-se um sonho cada vez mais distante, principalmente quando tento puxar um papo culto com os meus amigos e, quase que por escárnio à minha tentativa, me perguntam se eu vi a pendenda dos participantes ou o que eu faria com 1 milhão.
Isso, irremediavelmente reflete o que somos: meros fofoqueiros, incapazes de cuspir esse lixo que engolimos há 10 anos!
Conclusão, mesmo desligando o maldito aparelho, nas rodas de conversa não terei chance de escapar sobre o tema Big Bosta Brasil. Socorroooooooooooooooooooo!
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Cinco minutos de reflexão
A reflexão que me refiro, veio com esta foto que vi hoje em um jornal. Minutos depois de olhar para ela, decidi que precisava dividi-la com o maior número de pessoas. Realmente necessitava arrancar essa angústia de mim, dividir esse peso e alimentar a esperança de que alguém fosse propor algo. A história desse pai - que está vendendo seus dois filhos porque não pode mantê-los, merece a nossa atenção. Num mundo conflituoso e de gente miserável, também existe um mundo criativo, luxuoso, habitado por gente bem sucedida, que possui ferramentas que consideramos necessárias para alcançar a felicidade. Essas mesmas pessoas, que representam uma porção muito pequena da humanidade, convivem com uma outra grande parte da população que se encontra em situaçoes como essa que vemos na foto: são gente obrigada a vender seus filhos, a vender o seu corpo, ou seja, a prostituir dia após dia a sua essência humana. E fazem isso simplesmente para satisfazer suas necessidades mais básicas. Então, o que me afeta desde que olhei para essa imagem é a cegueira permanente que as pessoas poderosas tem, que não utilizam os mecanismos funcionais para reverter esta situação. Sinceramente, custo a entender como conseguem manter a sanidade mental e espiritual com tantas dissemelhanças na nossa sociedade, agindo como se as coisas acontecessem por méritos de uma rotina fatalista. Será que já estamos loucos? Deixamos de ser seres humanos? Estamos tão aliendados que já não tomamos consciência dessa triste realidade?
Infelizmente, não sei qual será o destino dessas crianças, desse pai. Só sei que muitas pessoas ao redor do mundo, após lerem esta triste notícia, ligarão seus televisores e seguirão com suas vidas como se nada tivesse acontecido. E pior, dormirão tranquilas.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Leite derramado
Respeito o protesto pela baixa do valor do leite na Europa; os produtores devem ter suas razões por ela. Mas desperdiçar milhões de litros do alimento como a França e Bruxelas vêm fazendo nas últimas semanas, para mim é uma falta de respeito para com as 950 milhões de pessoas que padecem de fome. Principalmente, quando a FAO divulgou semanas antes que o número de famintos no planeta é o maior da história e que a solução para o problema parece estar complicadíssimo, porque caiu o número de doadores ao banco mundial de alimentos, a crise mundial que ainda paira nas economias, a recente rise na produção dos alimentos, o aquecimento global...
Sei que não só de leite vive o homem e que se eles desperdiçam é porque tem de sobra. O que não sei é como podem dormir tranquilos sabendo que minimamente poderiam amenizar a angústia de tanta gente?
É a velha história: os que muito tem não valorizam e não se lembram daqueles que tem pouco...É absurdamente óbvio o que escrevo, tão absurdo que me assusta saber que essas coisas acontecem em nosso mundo, em pleno século XXI.
Sei que não só de leite vive o homem e que se eles desperdiçam é porque tem de sobra. O que não sei é como podem dormir tranquilos sabendo que minimamente poderiam amenizar a angústia de tanta gente?
É a velha história: os que muito tem não valorizam e não se lembram daqueles que tem pouco...É absurdamente óbvio o que escrevo, tão absurdo que me assusta saber que essas coisas acontecem em nosso mundo, em pleno século XXI.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Cartier, que inveja de você paulistano!
Não sei se a mostra chega a Buenos Aires, mas confesso que estou morrendo de inveja dos paulistanos. Portanto, Thiaguito do meu coração, vá ao evento e desfrute do "momento decisivo" por mim.
É óbvio que eu não quero saber se estava ótimo.
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Cartier que inveja de você paulistano
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Entre as cores psicodélicas da Índia e a melodia dor de corno de Annete Hanshaw
Digamos que os filmes de animação não são o meu forte. O porquê, pouco sei explicar, embora haja produções que já fazem parte da minha prateleira de filmes preferidos, como é o caso de Persépolis.
Mas ontem, assistindo ao belíssimo filme Sita sings the blues, reconheci que devo dar mais oportunidade a esse gênero. Foi impossível ficar indiferente à sensibilidade e criatividade de Nina Paley, que, através de sua animação, cores, e do jazz dos anos 20, soube impressionar com o Sita sings the Blues.
Mesmo se tratando de um tema batido - conflitos amorosos, o filme te conquista logo nos primeiros minutos.
Fica aí a dica do Sita, que pode ser baixado da internet de forma legal e gratuita. E para quem não viu Persépolis, por favor, assista!
sexta-feira, 3 de julho de 2009
A moda agora é Twittar, é?
Resisti. E quanto mais resisitia, mais ultrapassada e vencida pelas inovações me sentia. É como aquela velha frase vomitada pelos mais velhos "no meu tempo as coisas não eram assim".
Primeiro veio o ICQ e com ele a minha vida mudou: conheci pessoas de diversos lugares do Brasil e do mundo, e nele fiz muitos amigos. Nessa época também havia o Mirc a as salas de bate-papo, mas estes nunca me chamaram a atenção. Depois veio o MSN, praticamente um substituto do ICQ. Em seguida, a novidade foi o Skype. Recordo com saudades as discusões pelo SkypeCast: literatura, filosofia, merda e afins (e em vários idiomas), pena que acabou.
Com o passar dos anos (ou até meses!) as inovações na comunicação virtual já não eram surpreendentes como foram o ICQ e o MSN...
Chegou o Orkut! Foi um estouro: os momentos de fama conseguindos através de uma foto da sua mãe chapada no churrasco do tio Zezinho, era sucesso garantido! E ele criou tendências: passamos a tirar fotos na frente do espelho fazendo biquinhos, ficamos mais fofoqueiros e dependentes da vida alheia, e quem não tivesse um. estava perdido! Demorei certo tempo para fazer um, mas... acabei cedendo. Vejamos isso com bons olhos: quem vive longe, por exemplo, pode botar fotos de casamento, batismo, nascimento ou divórcio (e porque não?) para os parentes que moram longe verem. Sabe aquela tia que te viu pela última vez quando você tinha 5 anos? Olha que coisa boa: agora ela poderá acompanhar seu décimo piercing pelo Orkut, sem te obrigar a escutar "que espanto esses anéis pendurados!"
Mas a fama do orkut parece dever muito ao Brasil. Em outros países quase ninguém sabe o que significa isso. Fora do planeta Brasil, existe outro meio de exibição ainda mais influente: o Facebook.
Sinceramente, não gosto dele. Como moro em Buenos Aires e já cansei de escutar "nunca ouvi falar no Orkut", decidi me inscrever no Facebook...
Depois dos primos-irmãos Orkut/Facebook nasceram uma porrada de meios similares: Hi5, Sônico....e outros não recordo os nomes.
Agora, uma nova tsunami surgiu na internet: Twitter.
Não entendo porque as pessoas desejam tanto uma invasão na sua privacidade e expõe coisas que jamais contaria a ninguém "estou cagando" ou "tava bêbada e dei para aquele ridículo" e o mais assombroso é que a galera curte isso.
Imagino o desespero dos analistas, profissão que acho que está com os seus dias contados...Parece que as palavras segredo e descrição são coisas do passado. As informações estão sempre ali, esperando desesperadamente que alguém leia. Não importa se é um comentário bobo, bizarro ou chato. Hoje, todo mundo se anima a falar de qualquer besteira!
Confesso que mais uma vez a minha resistência não bastou. Fraquejei e lá estou eu com o meu Twitter! Mas não enxergo essa revolução comunicacional de forma tão avassaladora! Embora sejam parcialmente nocivos, penso nas coisas boas que podemos fazer com essa facilidade: trocar informações relevantes para a melhorar a nossa sociedade. E isso é ótimo!
Isso me faz refletir as dificuldades que existiam na comunicação há poucos anos atrás. Com isso, me tento a imaginar Darwin escrevendo no seu twitter "depois de tanto observar inúmeras espécies, concluo que vence aquele que melhor se adapta ao ambiente". Ou Getúlio Vargas postando no Orkut sobre o seu suicídio "deixo a vida, para entrar na história". Ainda, Robert Hooke expondo no seu Facebook as primeiras imagens de uma célula.
Bem, se estamos carentes de atenção ou solitários na vida, somente as futuras gerações - após uma profunda análise do nosso comportamento, poderão dizer. E quem sabe, as frustrações diante do que fomos serão escancaradamente expostas em uma.........ufa, minha imaginação não dá para tanto!
Primeiro veio o ICQ e com ele a minha vida mudou: conheci pessoas de diversos lugares do Brasil e do mundo, e nele fiz muitos amigos. Nessa época também havia o Mirc a as salas de bate-papo, mas estes nunca me chamaram a atenção. Depois veio o MSN, praticamente um substituto do ICQ. Em seguida, a novidade foi o Skype. Recordo com saudades as discusões pelo SkypeCast: literatura, filosofia, merda e afins (e em vários idiomas), pena que acabou.
Com o passar dos anos (ou até meses!) as inovações na comunicação virtual já não eram surpreendentes como foram o ICQ e o MSN...
Chegou o Orkut! Foi um estouro: os momentos de fama conseguindos através de uma foto da sua mãe chapada no churrasco do tio Zezinho, era sucesso garantido! E ele criou tendências: passamos a tirar fotos na frente do espelho fazendo biquinhos, ficamos mais fofoqueiros e dependentes da vida alheia, e quem não tivesse um. estava perdido! Demorei certo tempo para fazer um, mas... acabei cedendo. Vejamos isso com bons olhos: quem vive longe, por exemplo, pode botar fotos de casamento, batismo, nascimento ou divórcio (e porque não?) para os parentes que moram longe verem. Sabe aquela tia que te viu pela última vez quando você tinha 5 anos? Olha que coisa boa: agora ela poderá acompanhar seu décimo piercing pelo Orkut, sem te obrigar a escutar "que espanto esses anéis pendurados!"
Mas a fama do orkut parece dever muito ao Brasil. Em outros países quase ninguém sabe o que significa isso. Fora do planeta Brasil, existe outro meio de exibição ainda mais influente: o Facebook.
Sinceramente, não gosto dele. Como moro em Buenos Aires e já cansei de escutar "nunca ouvi falar no Orkut", decidi me inscrever no Facebook...
Depois dos primos-irmãos Orkut/Facebook nasceram uma porrada de meios similares: Hi5, Sônico....e outros não recordo os nomes.
Agora, uma nova tsunami surgiu na internet: Twitter.
Não entendo porque as pessoas desejam tanto uma invasão na sua privacidade e expõe coisas que jamais contaria a ninguém "estou cagando" ou "tava bêbada e dei para aquele ridículo" e o mais assombroso é que a galera curte isso.
Imagino o desespero dos analistas, profissão que acho que está com os seus dias contados...Parece que as palavras segredo e descrição são coisas do passado. As informações estão sempre ali, esperando desesperadamente que alguém leia. Não importa se é um comentário bobo, bizarro ou chato. Hoje, todo mundo se anima a falar de qualquer besteira!
Confesso que mais uma vez a minha resistência não bastou. Fraquejei e lá estou eu com o meu Twitter! Mas não enxergo essa revolução comunicacional de forma tão avassaladora! Embora sejam parcialmente nocivos, penso nas coisas boas que podemos fazer com essa facilidade: trocar informações relevantes para a melhorar a nossa sociedade. E isso é ótimo!
Isso me faz refletir as dificuldades que existiam na comunicação há poucos anos atrás. Com isso, me tento a imaginar Darwin escrevendo no seu twitter "depois de tanto observar inúmeras espécies, concluo que vence aquele que melhor se adapta ao ambiente". Ou Getúlio Vargas postando no Orkut sobre o seu suicídio "deixo a vida, para entrar na história". Ainda, Robert Hooke expondo no seu Facebook as primeiras imagens de uma célula.
Bem, se estamos carentes de atenção ou solitários na vida, somente as futuras gerações - após uma profunda análise do nosso comportamento, poderão dizer. E quem sabe, as frustrações diante do que fomos serão escancaradamente expostas em uma.........ufa, minha imaginação não dá para tanto!
quinta-feira, 2 de abril de 2009
A morte do líder democrata

Junto com as nuvens que cobrem o céu nublado, argentinos choram pela morte de seu ex presidente Raúl Alfonsín. Morto nessa última terça (31), o político que marcou o início do processo de redemocratização da Argentina pós ditadura, será enterrado nesta tarde (2), no cemitério da Recoleta.
Alfonsín governou a Argentina entre os anos 1983 a 1989. Foi um período difícil, marcado pelo pós Guerra das Malvinas, julgamento de ex ditadores - responsáveis pelo desaparecimento de mais de 30 mil pessoas, inflação orbitante e instabilidade política. É lembrado entre a população como um guerreiro da democracia e o político menos corrupto até então.
Centenas de condolências vindas de diversas partes do mundo chegam a Buenos Aires. Personalidades ilustres do meio político nacional como Menem, De La Rúa, Duhalde e Kirchner vão dar seu último adeus. Do Brasil, comparacem também na forma carne-osso, nada menos que Sarney e Collor - por coicidência, catástrofes ainda vivas da nossa história política.
Quilômetros de humanos enfileirados, tomam chuva e frio para prestar uma homenagem ao ex líder, deixando o acontecimento mais dramático que um tango. Tamanha mobilização foi vista assim na morte de Juan Perón, em 1974.
Desde o meu quarto, escuto tímidos fogos artificiais estourarem do lado de fora para glorificar o morto. O clima é de tristeza. Não vivi a Argentina "alfonsiana", mas posso compartilhar com os meus irmãos a tristeza de um desejo não cumprido ou sistematizamente adiado: ver uma Argentina orgulhosa e não arrasada, fortalecida e não arrastejante como se sonhou quando os anos negros da ditadura terminaram e quando Alfonsín assumiu a presidência.
O salvador da pátria morreu, deixando milhares de argentinos órfãos, que como ele, acreditou que a história deste país poderia ter sido diferente.
domingo, 29 de março de 2009
O fusquinha bordô e meu momento blasé

A bobeira que vou comentar agora vem de um sentimento inexplicável pela ciência, que faz pessoas cometerem micos terríveis. Por isso estou aqui, falando do amor.
Não importa seu gênero, pode ser ele platônico, correspondido ou não, mazoquista ou irracional. Mas onde quero chegar com tudo isso é ressaltar que todo amor é louco.
A loucura que descreverei é de uma estupidez tão infantil, que dá vergonha de contar. Não é vergonha de expor o que sinto. É timidez por assumir um amor que nem sempre é merecido, porque é meio cafajeste e dispensa o ridículo.
Hoje à tarde, caminhando com o cachorro do Luis (fiz essa construção de propósito, fica engraçada - pois refiro-me ao Sasha, rusky siberiano) vimos um fusquinha bordô. Até aí nada demais. Mas aqui não tem fusca! É raríssimo ver um, ainda mais bordô. Só que a novidade não é essa, o lance é que o carro tinha uma placa de BRA-SÍ-LIAAAAA, com um adesivo da bandeira do Brasil precariamente grudado. Gente, vocês não podem imaginar a minha euforia. É que foi uma surpresa tão irreal, ali na pracinha, onde vou quase todos os dias, onde todas às vezes que caminho só vejo argentinos de cara amarrada, carros argentinos mal estacionados e muitos, muitos cachorros cagando na via pública...e no meio de tudo aquilo o fusquinha bordô com a placa de Brasília, brasileiro!
No ato procurei o dono do artigo. Nada! Dei uma olhadinha pra ver se identificava outra coisa tupiniquim, mas a sorte não era para tanto. Fiquei com essa satisfação estranha de quem se dá por feliz por tão pouca coisa. Estranho mesmo e como comentei antes, um tanto infantil.
O encontro com o carro me fez pensar nas inúmeras besteiras que já vivi e escutei sobre o amor brasileiro. "Outro dia, passendo na frente de uma loja de CD´s, escutei uma música do Só pra Contrariar. Fiquei tão feliz que parei ali do lado de fora e fiquei curtindo a música, molejando a cabeça e os pés. Ninguém entendia, nem mesmo eu que jamais curti pagode, menos ainda o Alexandre Pires. Mas era algo do Brasil, naquela rua agitada depois das quatro, cheio de gente estranha e com pressa. Eu ali, repentinamente me transformando em sorrisos, só por ouvir uma música de um brasileiro". Esquisitices do gênero já fiz muitas vezes. Uma delas foi querer ser amiga de uma desconhecida só porque falava português. E não fiquei mostrando os dentes apenas. Fui em sua direção, perguntar o que fazia ali, se queria tomar um café depois, ingenuidade pura. Brasileiro no exterior é uma bosta, porque a maioria despreza seus compatriotas. Hoje aprendi a lição. Vejo uma brasileira perdida no metrô com suas estampas estravagantes, decotes exagerados e brincos espalhafatosos, lasco meu esteriótipo argentinizado: nariz empinado, olhar indiferente, apressado e de pouca paciência. Se é um brasileiro, ainda posso dar uma ajudinha, hehe.
Mas é assim mesmo, cada gesto, objeto, som que remete à terrinha faz descarregar uma euforia mirabolante, acorda o amor já esquecido. E esse reencontro com o amor antigo é tão gostoso que não importa quem você canta, pois quando o desejo vem é o seu nome que chamo. Brasil, posso até gostar de alguém, mas é você quem eu amo.
Clichê, mas quem disse que o amor não é piegas?
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