sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Tarde com o fotógrafo da foto da menina afegana de olhos verdes

Foi ontem, no Centro Cultural Borges. Enquanto o sol se punha na agradável tarde portenha, a multidão de gente bem vestida e cult competia um espacinho para conseguir um autógrafo, uma foto ou um segundo que fosse ao lado do renomado fotógrado da Agência Magnum, o senhor Steven McCurry. Com o  inglês que tenho, logicamente não arrisquei mais que um thank you quando recebi de suas mãos a foto da menina afegã autografada. Simpático e prestativo, trocou algumas frases com o meu namorado, que sentia por ele o excesso de tietagem.

Especializado em Oriente Médio, McCurry ficou conhecido por seus trabalhos publicados na revista Nacional Geografic. E não é só o mérito de captar boas imagens que renderam ao fotógrafo inúmeros fãs ao redor do mundo. Para registrar o conflito no Afeganistão com a Rússia, ele se fez passar por um cidadão local. Para sair do país com as imagens que delataria pela primeira vez a cruel realidade afegã, costurou os rolos de filme em sua vestimenta.

Reconheço que não é o único profissional que arriscou sua vida por uma boa fotografia. Mas o que o caracteriza como um grande fotógrafo é o fato de conseguir transmitir a beleza humana em vértices ainda incompreensíveis a muitos ocidentais.

Não sei se o evento vai para o Brasil. Se for pessoal, não perca a oportunidade de prestigiá-la.


 
  
  
  
Lindas, não?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Andy Warhol, você não era grande coisa assim


Depois de várias tentativas, finalmente consegui dar uma escapadinha até o Malba e dar uma espiada nos quadros do moço das Sopas Campbells. As obras não me impressionaram e eu não esperava o contrário. E o que mais  me chama a atenção nesse cara, é que ele fez algo completamente simples (que eu, você ou qualquer outro bobinho inspirado poderíamos ter feito). E se tivéssimos tido essa ideia, eu, você e o outro bobinho inspirado teríamos ganho milhões de dólares e neste exato instante não estaria aqui com dor de cotovelo, mas sim, numa ilha do pacífico comendo caviar. Mas o destino artístico não assim. Foi um noia norteamericano que teve a"grande ideia", que ficou rico e que me fez gastar 5 dólares para ver suas... serigrafias! Está bem né, tudo em nome da arte.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sem notícias

 

Hoje decidi não ter notícias do mundo. Não quero saber sobre os sobreviventes do Haiti, a economia da China ou os conflitos no Afeganistão. Quero me dar o gosto de ficar completamente desinformada. Não me importa saber sobre a morte do Tomáz Eloy Martínez, da mulher bomba que matou mais de 40 em Bagdá e dos brasileiros que dormiram no chão de Cuzco. Definitivamente hoje não sou jornalista, não sou cidadã deste mundo caótico; apenas sou um conjunto de moléculas entre tantas outras, disperso por aí.

Quero respirar profundamente, aos poucos. Sentir o sol penetrar no meu corpo e queimá-lo sem ter que pensar se estou com protetor ou se o fator é o ideal para o meu tipo de pele. Que os sons da natureza se façam mais fortes que os ruídos humanos. Hoje sou uma borboleta, objeto qualquer que voa com o vento, despreocupado. Hoje não quero ter a necessidade da fé de que o amanhã será um dia melhor.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Mais uma janela que se abre para o Nordeste

Enquanto uns acreditam que falar (ou escrever) sobre o Nordeste e seus problemas é tema batido, lendo o blog "Novo em Folha", da jornalista Ana Estela de Souza Pinto, constatei que isso não é verdade. Através do veículo, cheguei aos vencedores do Prêmio Esso 2009 e à matéria "Os Sertões" realizada pelo Jornal do Commercio de Recife.

O trabalho é fantástico, de uma sensibilidade que não cai no ordinário.

Parabéns ao Jornal do Commercio pelo trabalho, e à Folha, pela divulgação e pelo conteúdo multimídia disponibilizado no blog da Ana Estela.

Link: http://www2.uol.com.br/JC/sites/sertoes/ 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O Big Bosta Brasil vem aí

Como se não bastasse a parafernália alienante típica de dezembro: mamães noéis mostrando suas bundas rebolantes e peitos siliconados, as boas ações natalinas que são meras obrigações cidadãs e as publicidades carnavalescas (arght!), fim de ano também significa ter que aguentar as chamadas ao Big Brother Brasil ( e todo o burburinho que gera em torno desse programa).

Há 10 anos somos obrigados a engolir o olho maldito, e vê-lo invadir as programações televisivas (que já não são bons) para promover esse programinha de merda, (qualifico de igual forma qualquer outro programa do Boninho...)

É justamente nessa época do ano que perco a minha fé nos brasileiros, no nosso senso crítico, na possibilidade de um dia sermos uma população mais inteligente! O BBB somatiza todas as minhas frustrações quanto à televisão brasileira e a esperança de nos emanciparmos dela torna-se um sonho cada vez mais distante, principalmente quando tento puxar um papo culto com os meus amigos e, quase que por escárnio à minha tentativa, me perguntam se eu vi a pendenda dos participantes ou o que eu faria com 1 milhão.

Isso, irremediavelmente reflete o que somos: meros fofoqueiros, incapazes de cuspir esse lixo que engolimos há 10 anos!

Conclusão, mesmo desligando o maldito aparelho, nas rodas de conversa não terei chance de escapar sobre o tema Big Bosta Brasil. Socorroooooooooooooooooooo!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cinco minutos de reflexão


 A reflexão que me refiro, veio com esta foto que vi hoje em um jornal. Minutos depois de olhar para ela, decidi que precisava dividi-la com o maior número de pessoas. Realmente necessitava arrancar essa angústia de mim, dividir esse peso e alimentar a esperança de que alguém fosse propor algo. A história desse pai - que está vendendo seus dois filhos porque não pode mantê-los, merece a nossa atenção. Num mundo conflituoso e de gente miserável, também existe um mundo criativo, luxuoso, habitado por gente bem sucedida, que possui ferramentas que consideramos necessárias para alcançar a felicidade. Essas mesmas pessoas, que representam uma porção muito pequena da humanidade, convivem com uma outra grande parte da população que se encontra em situaçoes como essa que vemos na foto: são gente obrigada a vender seus filhos, a vender o seu corpo, ou seja, a prostituir dia após dia a sua essência humana. E fazem isso simplesmente para satisfazer suas necessidades mais básicas. Então, o que me afeta desde que olhei para essa imagem é a cegueira permanente que as pessoas poderosas tem, que não utilizam os mecanismos funcionais para reverter esta situação. Sinceramente, custo a entender como conseguem manter a sanidade mental e espiritual com tantas dissemelhanças na nossa sociedade, agindo como se as coisas acontecessem  por méritos de uma rotina fatalista. Será que já estamos loucos? Deixamos de ser seres humanos? Estamos tão aliendados que já não tomamos consciência dessa triste realidade?
Infelizmente, não sei qual será o destino dessas crianças, desse pai. Só sei que muitas pessoas ao redor do mundo, após lerem esta triste notícia, ligarão seus televisores e seguirão com suas vidas como se nada tivesse acontecido. E pior, dormirão tranquilas.



segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Leite derramado

Respeito o protesto pela baixa do valor do leite na Europa; os produtores devem ter suas razões por ela. Mas desperdiçar milhões de litros do alimento como a França e Bruxelas vêm fazendo nas últimas semanas, para mim é uma falta de respeito para com as 950 milhões de pessoas que padecem de fome. Principalmente, quando a FAO divulgou semanas antes que o número de famintos no planeta é o maior da história e que a solução para o problema parece estar complicadíssimo, porque caiu o número de doadores ao banco mundial de alimentos, a crise mundial que ainda paira nas economias, a recente rise na produção dos alimentos, o aquecimento global...

Sei que não só de leite vive o homem e que se eles desperdiçam é porque tem de sobra. O que não sei é como podem dormir tranquilos sabendo que minimamente poderiam amenizar a angústia de tanta gente?

É a velha história: os que muito tem não valorizam e não se lembram daqueles que tem pouco...É absurdamente óbvio o que escrevo, tão absurdo que me assusta saber que essas coisas acontecem em nosso mundo, em pleno século XXI.